Poucos sabem, mas além da minha empreitada aqui no Laboratório também faço parte do Programa Vôlei Brasil. O primeiro e único programa exclusivamente dedicado ao vôlei no rádio brasileiro. Para quem quiser ouvir, o programa vai ao ar toda segunda-feira de 20:05h às 21:55h na Super Rádio Brasil, 940AM. O programa conta com a apresentação do ex-atleta olímpico e integrante da inesquecível geração de prata, Fernandão. E o que uma coisa tem a ver com a outra ?

É que ontem, o nosso entrevistado foi o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça Filho. E, como não poderia perder esta grande oportunidade, fiz as minhas duas perguntas voltadas para a Gestão Esportiva.

Os títulos do vôlei demonstram o sucesso na gestão da cbv.

Os inúmeros títulos conquistados demonstram o sucesso da gestão da CBV.

Primeiramente lhe perguntei se o presidente da entidade maior do vôlei nacional entendia que, devido ao nível de evolução do vôlei brasileiro, nós deveríamos ou precisaríamos de regras financeiras para as equipes que disputam os campeonatos promovidos pela Confederação, assim como as entidades européias estão criando, como o Financial Fair Play, que já foi inclusive comentado por nós no tópico “Financial Fair Play para um esporte sustentável“. De forma bem clara Ary Graça respondeu que juridicamente ele não pode fazer isso, pois as instituições esportivas são organizações independentes. Além disso ele informou que o máximo que ele solicita, no início das competições, é que os clubes assumam o compromisso de pagar os salários de jogadores e comissão técnica.

A segunda pergunta fiz pensando nos questionamentos dos nossos leitores. Perguntei ao Ary se ele entendia que realmente passariamos por um momento de maior demanda quanto a necessidade de capacitação dos gestores esportivos no Brasil, em função de Olimpíada e Copa do Mundo, e se a CBV pensa no assunto. Na resposta o presidente nos noticiou um ponto interessantíssimo e que eu, particularmente, até então não tinha conhecimento. Vamos ao ponto. Segundo ele a CBV irá, em conjunto com uma instituição de ensino que já está sendo negociada, oferecer uma oportunidade de capacitação para os presidentes das federações de vôlei. Seria um curso, com metodologia própria, oferecido pela CBV, em parceria com uma instituição de ensino, específico para os diretores das federações. Com isto a CBV espera que as federações se reciclem e tenham know how para implementar uma gestão esportiva mais profissional. Será que isto vai vingar ? Vamos aguardar !

A primeira vista é uma iniciativa muitíssimo pertinente, totalmente adequada as necessidades do esporte brasileiro. A grande dificuldade, na opinião do Laboratório, será a implementação do conhecimento adquirido, por parte dos presidentes das federações. Muitos deles já se encontram no poder há anos, e já possuem uma maneira particular de gerir suas federações. Muitos são resistentes a mudanças. Sem falar que aprender, saber novos conceitos e teorias de gestão esportiva somente não basta. As federações precisam gerar recursos para se sustentar. Aprender novos conceitos, ter maior capacitação, manter-se atualizado sobre as técnicas de gestão no esporte é apenas o começo. Os presidentes precisarão, quebrar a barreira do conservadorismo e serem criativos, para gerar novas receitas.