Neste domingo o caderno de esportes do O Globo trouxe uma excelente entrevista com a Presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. Para os que ainda não sabem ela é ex-atleta de natação, já disputou olimpíada, ou seja, tem um currículo com longa experiência nos esportes olímpicos. Em 2010 ela assumiu o desafio de cuidar da gestão do clube de maior número de torcedores do país, e por conseqüência suas mazelas e dificuldades.

Primeiramente, ressaltamos a todos os nossos leitores que leiam a entrevista na íntegra. Em segundo lugar vamos destacar pontos interessantes e super importantes para todos que nos lêem e que almejam tornar-se um gestor esportivo de sucesso.

Patricia Amorim trilhando novos rumos no Flamengo

Patricia Amorim trilhando novos rumos no Flamengo

Patrícia Amorim ressalta que a estrutura do clube é muito ruim. “A equipe primncipal de basquete não pode treinar aqui porque abola não quica no garrafão. O piso está podre. Para eu gastar menos com recuperação, é melhor ter equipamento adequado.” Esta é a grande verdade da maioria dos grandes clubes de futebol. A infraestrutura está longe de ser a melhor. Os clubes possuem um enorme patrimônio, mas não conseguem gerar receitas suficientes para mantê-los. É um enorme parque esportivo mal explorado.

Outra questão levantada na entrevista: A diferente realidade entre esportes olímpicos e futebol. Sobre isso a Presidente diz: “O futebol é um outro universo. Acho que os que estão acima da média tÊma alguma disfunção de comportamento, mas, dentro do esporte olímpico, o atleta é mais herói, está mais preocupado com disciplina, não tem um comportamento de celebridade. O que é mais difícil para mim é que o futebol é mais intenso, é mais paixão. Esta é uma realidade, muito difícil de mudar. Como dizem, o futebol é uma religião. Por estas e outras é que ainda lidamos com casos como o do presidente Belluzo, do Palmeiras, que tem uma carreira acadêmica que demonstra o seu alto nível de escolaridade, que traduz bem a dificuldade,  em certos momentos, de separar a razão da emoção na gestão esportiva do futebol brasileiro.

O gestão do futebol no Brasil necessita de maior profissionalização. Precisamos de gestores remunerados, que tenham suas atitudes baseadas em atos planejados, e não somente na base da emoção. Enfim, este bla bla bla já é antigo. Vamos voltar para a entrevista.

Por fim, quando perguntada sobre as dificuldades de negociação no futebol ela vem com uma resposta bastante ilustrativa. Veja só: “No basquete, eu me sinto em casa, mas  o começo foi muito difícil. Porque no futebol a estrutura é muito rica. Então, se o seu salário está atrasado e você ganha R$ 100 mi, R$ 200 mil, é diferente. No esporte olímpico, no basquete, o dinheiro é mais contado. E eles têm um nível cultural mais elevado, a conversa é mais firme. No futebol, o cara faz tanta besteira que o clube está em dívida , mas ele também está. E é essa estrutura que está falida. O clube está refém do jogador, o jogador refém do clube…

Bem, para aqueles que amam futebol e que desejam trabalhar com gestão e marketing esportivo a conclusão que temos é a seguinte. Futebol é um universo diferente dos demais esportes. Saibam separar a paixão da razão. Como bem ilustrado pela entrevista, há muitas dificuldades para se trabalhar com futebol. Na verdade, há inumeras dificuldades para trabalhar profissionalmente com os demais esportes também, entretanto, o futebol é uma religião. Entendemos que há maior espaço para os demais esportes.

Leiam a entrevista no jornal O Globo deste domingo (o4 de abril), leiam as dificuldades em se trabalhar com esportes olímpicos e futebol nos grandes clubes de massa, faça sua reflexão e procure o seu espaço no segmento esportivo.