Fim da temporada 2009/2010 no vôlei brasileiro. Em dois jogos finais espetaculares, com casa cheia e astros de seleção brasileira em quadra, Sollys/Osasco no feminino e Cimed/Florianópolis no masculino se tornaram os campeões de uma das edições mais competitivas de todos os tempos.
Apesar de todos os pontos positivos que já foram citados por aqui, sendo inclusive motivo de um post no Laboratório “Parabéns CBV. A Superliga é um exemplo, com apenas uma ressalva.” como todo ano, estamos em fase de renegociação dos contratos de patrocínio. E até o momento o saldo não é positivo para o vôlei nacional. Dois grandes investidores, que mantiveram equipes competitivas nesta última decisão anunciaram que deixaram de associar-se ao segundo esporte brasileiro, o vôlei.
Primeiramente foi o banco Santander que anunciou o fim do investimento no time de São Bernardo. Com esta decisão o banco multinacional de fim também a uma longa história, rica na formação de atletas campões olímpicos, oriundos das divisões de base do time da cidade do ABC paulista. Todo garoto que sonhou em jogar vôlei já teve vontade de participar da nacionalmente famosa peneira do Banespa. Neste último ano a equipe passou a se chamar Brasil Vôlei Clube e contou com atletas de Seleção como Escadinha e Dante, vendido após o término do campeonato paulista. Provavelmente a prefeitura local irá bancar a manutenção de um time, mas com um investimento bem mais modesto.
Nesta última semana, conforme informado pelo site Máquina do Esporte, a companhia farmacêutica Blausiegel informou o encerramento das atividades da equipe. A diretoria suspendeu temporariamente novos investimentos em ações de marketing esportivo. A empresa apenas manterá ações em corridas automobilísticas. Nesta última temporada esta parceria foi responsável por repatriar atletas medalha de ouro em Pequim, Scheilla, Mari e Fofão. Ou seja, foi uma ótima oportunidade de ver estas atletas atuando no Brasil. Mas o terceiro lugar na Superliga certamente contribuiu para o fim deste investimento.
A opinião do Laboratório é que durante muuuuito tempo ainda estaremos dependendo dos resultados empresárias para saber se uma equipe de vôlei permanecerá ou não na temporada seguinte. Os patrocinadores são na prática os donos da equipe. Casos como o do Minas Tênis e do Pinheiros são raridades. Os clubes sozinhos não tem como manter equipes de vôlei adulto de alto rendimento, em condições para disputar uma Superliga. O resultado é esse. Times de empresa que começam e terminam de acordo com o planejamento de marketing não da equipe, mas da empresa patrocinadora. Fica difícil até de acreditar que é possível formar uma torcida.