O FUTEBOL AINDA ESTÁ LONGE DE SER MODELO DE GESTÃO ESPORTIVA. COMO MUDAR ESTA SITUAÇÃO ?
Salvo raríssimas exceções, bem pontuais, casos como o do Internacional de Porto Alegre, por exemplo, que já foi enaltecido pelo Laboratório Esportivo em posts anteriores, no geral o futebol brasileiro proporciona uma variedade imensa de exemplos de como não se deve fazer uma gestão esportiva. Para reforçar esta tese trazemos conteúdo de outros dois sites, da Revista PIB (Presença Internacional do Brasil) e da coluna Olhar Crônico Esportivo.
A longevidade dos presidentes das Confederações e Federações esportivas impedem a evolução da gestão esportiva nacional. Adicionalmente, também ocorre o problema da falta de transparência na gestão. Já tinhamos levantado a necessidade de maior transparência no esporte para atrair investidores sérios. Nesta linha a Revista PIB – Presença Internacional do Brasil publicou em sua edição número 9 a matéria “Gol Contra – Amadorismo, dívidas, marcas pouco conhecidas… Por que o melhor futebol do mundo não é capaz de produzir clubes fortes e respeitados no exterior ? De imediato recomendamos a leitura da matéria na íntegra. A reportagem é muito interessante e reforça a nossa tese de que o esporte brasileiro sofre com a sua estrutura organizacional paternalista, viciada. Além da questão da falta de transparência. Aproveitamos para publicar aqui trechos da reportagem.
Logo na primeira página a matéria escancara : “… o futebol brasileiro ainda patina num amadorismo movido a dívidas, irresponsabilidade fiscal e, em alguns casos, práticas mais afeitas ao território do crime que propriamente aos gramados.” A reportagem de José Ruy Gandra e Marcelo Damato traz comentários de profissionais com bastante conhecimento no assunto. Entre eles Álvaro Cardoso de Souza, ex-presidente do Citibank no Brasil e hoje diretor da seção brasileira da ONG ambiental WWF. Segundo ele: “A economia do futebol no Brasil tem um nível de transparência muito baixo se comparado ao dos mercados de capital e financeiro, que operam baseados em extrema clareza”. Ele diz: “Gestões obscuras ou frágeis geralmente espantam os investidores mais sérios.”
A economista Elena Landau, da PUC-Rio, sócia do escritório de advocacia Sergio Bermudes e ex-consultora do Atlético Mineiro na reestruturação da gestão do time também comentou: “Se não houver uma forte intervenção do poder público, que vá muito além da construção e reforma de estádios, a Copa não vai resolver nada.” diz a economista: “O governo precisa estabelecer novas regras que elevem o grau de transparência do esporte no país e de suas competições oficiais.”
Para reforçar os comentários a revista traz a opinião do ex-craque e colunista esportivo Tostão: “No Brasil os clubes são administrados de forma familiar e investem com pouca racionalidade. Em geral, seus dirigentes só promovem mudanças quando se sentem ameaçados de perder o poder.” E ele vai além. “Não há alternância no poder e os dirigentes se mantêm graças a um conluio que os benefícia.”
Recomendamos a leitura desta matéria para aqueles que se interessam pelo tema Gestão Esportiva. A reportagem é muito interessante e rica em comentários de gente que entende do assunto. Além dos comentários reproduzidos acima a revista traz a opinião de Juca Kfouri, Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente do Palmeiras e do empresário Walter de Mattos Jr., presidente e fundador do diário esportivo Lance!.
Para encerrar com chave de ouro esta penca de comentários sobre a má gestão do futebol brasileiro, não podemos deixar passar desapercebido os posts “As dívidas dos clubes brasileiros e como se dividem” e “As dívidas per capita dos torcedores brasileiros“. São posts riquíssimos em detalhes contábeis da coluna Olhar Crônico Esportivo e que servem para evidenciar através de dados reais as consequências causadas por anos de má gestão. Aliás, para quem quer ficar focado em futebol este é um blog com uma visão mais administrativa. Recomendado para os que curtem gestão esportiva e futebol e que não gastam muito tempo com os outros esportes.
Caríssimos leitores, tudo isso serve para mostrar que há muita coisa a ser mudada no futebol. Para agravar a situação, está claro que os problemas mais graves estão localizados nos níveis hierárquicos mais altos. A necessidade de mudança é evidente para nós, reles torcedores e fãs tanto de futebol quanto de gestão esportiva, mas não para os que se beneficiam desta estrutura viciada. Apesar de tudo, não devemos perder as esperanças. Dentro das minhas limitações estou fazendo a minha parte, jogando luzes sobre a questão e abrindo o debate. Faça algo você também.






