sexta-feira, 10 de setembro de 2010

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O FUTEBOL AINDA ESTÁ LONGE DE SER MODELO DE GESTÃO ESPORTIVA. COMO MUDAR ESTA SITUAÇÃO ?

Salvo raríssimas exceções, bem pontuais, casos como o do Internacional de Porto Alegre, por exemplo, que já foi enaltecido pelo Laboratório Esportivo em posts anteriores, no geral o futebol brasileiro proporciona uma variedade imensa de exemplos de como não se deve fazer uma gestão esportiva. Para reforçar esta tese trazemos conteúdo de outros dois sites, da Revista PIB (Presença Internacional do Brasil) e da coluna Olhar Crônico Esportivo.

Presença Internacional do Brasil

Presença Internacional do Brasil

A longevidade dos presidentes das Confederações e Federações esportivas impedem a evolução da gestão esportiva nacional. Adicionalmente, também ocorre o problema da falta de transparência na gestão. Já tinhamos levantado a necessidade de maior transparência no esporte para atrair investidores sérios. Nesta linha a Revista PIB – Presença Internacional do Brasil publicou em sua edição número 9 a matéria “Gol Contra – Amadorismo, dívidas, marcas pouco conhecidas… Por que o melhor futebol do mundo não é capaz de produzir clubes fortes e respeitados no exterior ? De imediato recomendamos a leitura da matéria na íntegra. A reportagem é muito interessante e reforça a nossa tese de que o esporte brasileiro sofre com a sua estrutura organizacional paternalista, viciada. Além da questão da falta de transparência. Aproveitamos para publicar aqui trechos da reportagem.

Logo na primeira página a matéria escancara : “… o futebol brasileiro ainda patina num amadorismo movido a dívidas, irresponsabilidade fiscal e, em alguns casos, práticas mais afeitas ao território do crime que propriamente aos gramados.” A reportagem de José Ruy Gandra e Marcelo Damato traz comentários de profissionais com bastante conhecimento no assunto. Entre eles Álvaro Cardoso de Souza, ex-presidente do Citibank no Brasil e hoje diretor da seção brasileira da ONG ambiental WWF. Segundo ele: “A economia do futebol no Brasil tem um nível de transparência muito baixo se comparado ao dos mercados de capital e financeiro, que operam baseados em extrema clareza”. Ele diz: “Gestões obscuras ou frágeis geralmente espantam os investidores mais sérios.”

A economista Elena Landau, da PUC-Rio, sócia do escritório de advocacia Sergio Bermudes e ex-consultora do Atlético Mineiro na reestruturação da gestão do time também comentou: “Se não houver uma forte intervenção do poder público, que vá muito além da construção e reforma de estádios, a Copa não vai resolver nada.” diz a economista: “O governo precisa estabelecer novas regras que elevem o grau de transparência do esporte no país e de suas competições oficiais.

Ex-atleta é colunista esportivo

Ex-atleta é colunista esportivo

Para reforçar os comentários a revista traz a opinião do ex-craque e colunista esportivo Tostão: “No Brasil os clubes são administrados de forma familiar e investem com pouca racionalidade. Em geral, seus dirigentes só promovem mudanças quando se sentem ameaçados de perder o poder.” E ele vai além. “Não há alternância no poder e os dirigentes se mantêm graças a um conluio que os benefícia.”

Recomendamos a leitura desta matéria para aqueles que se interessam pelo tema Gestão Esportiva. A reportagem é muito interessante e rica em comentários de gente que entende do assunto. Além dos comentários reproduzidos acima a revista traz a opinião de Juca Kfouri, Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente do Palmeiras e do empresário Walter de Mattos Jr., presidente e fundador do diário esportivo Lance!.

Para encerrar com chave de ouro esta penca de comentários sobre a má gestão do futebol brasileiro, não podemos deixar passar desapercebido os posts “As dívidas dos clubes brasileiros e como se dividem” e “As dívidas per capita dos torcedores brasileiros“. São posts riquíssimos em detalhes contábeis da coluna Olhar Crônico Esportivo e que servem para evidenciar através de dados reais as consequências causadas por anos de má gestão. Aliás, para quem quer ficar focado em futebol este é um blog com uma visão mais administrativa. Recomendado para os que curtem gestão esportiva e futebol e que não gastam muito tempo com os outros esportes.

Caríssimos leitores, tudo isso serve para mostrar que há muita coisa a ser mudada no futebol. Para agravar a situação, está claro que os problemas mais graves estão localizados nos níveis hierárquicos mais altos. A necessidade de mudança é evidente para nós, reles torcedores e fãs tanto de futebol quanto de gestão esportiva, mas não para os que se beneficiam desta estrutura viciada. Apesar de tudo, não devemos perder as esperanças. Dentro das minhas limitações estou fazendo a minha parte, jogando luzes sobre a questão e abrindo o debate. Faça algo você também.

Como mudar esta situação ?


VOCÊ INVESTIRIA EM UMA DEZENA OU EM MILHARES ?

Na última quarta-feira o Comitê Olimpico Brasileiro (COB), juntamente com a Prefeitura do Rio de Janeiro, divulgaram o lançamento do projeto Time Brasil e Time Rio.

Segundo informações do site do COB o projeto é “um projeto de investimento na preparação de atletas com potencial de medalhas visando aos Jogos Olímpicos de Londres 2012.”. A intenção é que outros municípios e estados também tenham o seu time,dando origem ao Time Brasil. Inicialmente o Time Rio terá entre 10 a 13 atletas. O Time receberá R$ 12 milhões até 2012 para investir nos atletas e em suas equipes técnicas. Os primeiros atletas do Time Rio são Diego Hypólito (ginástica artística), Ricardo Winicki (vela), Kaio Marcio (natação) e Barbara Leôncio (atletismo) que serão beneficiados, a partir de abril, com suporte financeiro e logístico durante toda a preparação neste ciclo olímpico. Leia mais informações sobre o projeto.

Maior oportunidade na formação para aumentar a nossa delegação.

Maior oportunidade na formação para aumentar a nossa delegação.

Na opinião deste Laboratório Esportivo é uma iniciativa louvável apoiando atletas de reconhecida capacidade técnica. Entretanto, para que sejamos uma potência olímpica precisamos que os investimentos sejam em larga escala e não específico nos atletas que já dão resultado.

Serão R$ 12 milhões investidos com foco em uma dezena de atletas e não na formação de novos. Não que estes atletas não mereçam este aporte. Mas se fosse para “retribuir ao esporte o presente que ele deu à nossa cidade.”, conforme disse o Prefeito Eduardo Paes durante a cerimônia de lançamento do Projeto, que fosse feito um investimento junto às federações destes esportes, por exemplo. As federações, entidades responsáveis pelos esportes a nível estadual, sofrem com a falta de recursos. Nos mesmos moldes deste projeto o COB poderia atuar, juntamente com as confederações e federações de cada modalidade, na coordenação da parte técnica e no gerenciamento financeiro dos investimentos nas respectivas federações. Muito provavelmente as ações atingiriam um público maior, possibilitando o surgimento de novos atletas olímpicos, não apenas para as próximas duas olimpíadas.


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APESAR DAS DIFICULDADES DEVEMOS SER CRÍTICOS E NÃO PESSIMISTAS.

No último domingo, dia 24 de janeiro, o jornal O Globo trouxe em seu caderno de esporte a reportagem “Último arremesso de três”. A matéria falava sobre a tentativa de ressurreição do basquete brasileiro com a contratação do técnico argentino Rubén Magnano (campeão olímpico em 2004), além da criação da Escola Nacional de Técnicos. Especificamente sobre a criação da ENT, o jornal trouxe a opinião de duas pessoas importantes e experientes no meio e que a primeira vista soaram ser um pouco pessimistas.

O ex-atleta Walmir Marques é comentarista da ESPN.

O ex-atleta Walmir Marques é comentarista da ESPN.

A primeira opinião foi dada por Wlamir Marques, ex-atleta da seleção masculina de basquete, bi-campeão mundial em 1959 e 1963, atual comentarista da ESPN Brasil.

“Mesmo citado como futuro membro da ENT (Escola Nacional de Técnicos), Wlamir não anda lá muito otimista. – Nunca vai haver escola, porque a classe é desunida. O que é a escola ? Vai mudar o que ? A base ? É facílimo fundar a escola. Difícil é fazê-la funcionar. Ela não vai mudar os técnicos, pois a estrutura é viciada – afirmou Wlamir Marques. – O país vive de fenômenos, como o  Cesar Cielo, Guga, e é assim no atletismo, ginástica, taekwondo. Não há escola, não há política de esportes. Só se vive de fenômenos. O Vôlei é forte na seleção. Os estaduais são fracos. Tenho 72 anos, estou no esporte há 62. Nada muda. Os dirigentes são os mesmos há 20 anos.”

Continuando os comentários, o jornal descreve ainda a opinião da rainha Hortência, ex-atlelta e hoje diretora da seleção feminina na Confederação Brasileira de Basquete.

Ex-atleta Hortência é diretora da CBB

Ex-atleta Hortência é diretora da CBB

“Segundo ela, a entidade perdeu força internacional. – Estamos muito distantes do mundo. Na Fiba-Américas, não há brasileiro. Quando os nossos técnicos assistiram às finais da WNBA, da Euroliga, da Copa Rainha da Espanha ? - questionou, acrescentando que o único a fazer isso recentemente foi Paulo Bassul, técnico da seleção até 2009, que pode ser substituído. – Não podemos ficar fechados em nosso mundinho, achando que sabemos de tudo. Em qualquer empresa, você se recicla. No basquete, não. Nossos técnicos não podem esperar que a CBB traga estrangeiros para dar clínicas. Nossos técnicos têm de ter a iniciativa de viajar e aprender, mas muitos sequer falam inglês ou espanhol.

Na opinião do Laboratório Esportivo não devemos ser pessimistas mas sim críticos.

As opiniões são extremamente pertinentes, principalmente por virem de pessoas que conhecem a realidade do basquete brasileiro dentro e fora das quadras. Sabemos que a gestão esportiva no Brasil, independente do esporte, está longe do ideal. Ainda há muito amadorismo e dirigentes não remunerados que, conseqüentemente, não encaram suas atribuições de forma profissional. No entanto, não devemos achar que nada mudará e que não adianta implementar melhorias. Devemos sim, encarar a realidade e ver que ela é dura e difícil, mas temos a obrigação de tentarmos mudá-la.

Sejamos críticos, para encontrar os problemas, as dificuldades e tentar encontrar soluções, mas nunca pessimistas.