APESAR DAS DIFICULDADES DEVEMOS SER CRÍTICOS E NÃO PESSIMISTAS.
No último domingo, dia 24 de janeiro, o jornal O Globo trouxe em seu caderno de esporte a reportagem “Último arremesso de três”. A matéria falava sobre a tentativa de ressurreição do basquete brasileiro com a contratação do técnico argentino Rubén Magnano (campeão olímpico em 2004), além da criação da Escola Nacional de Técnicos. Especificamente sobre a criação da ENT, o jornal trouxe a opinião de duas pessoas importantes e experientes no meio e que a primeira vista soaram ser um pouco pessimistas.
A primeira opinião foi dada por Wlamir Marques, ex-atleta da seleção masculina de basquete, bi-campeão mundial em 1959 e 1963, atual comentarista da ESPN Brasil.
“Mesmo citado como futuro membro da ENT (Escola Nacional de Técnicos), Wlamir não anda lá muito otimista. – Nunca vai haver escola, porque a classe é desunida. O que é a escola ? Vai mudar o que ? A base ? É facílimo fundar a escola. Difícil é fazê-la funcionar. Ela não vai mudar os técnicos, pois a estrutura é viciada – afirmou Wlamir Marques. – O país vive de fenômenos, como o Cesar Cielo, Guga, e é assim no atletismo, ginástica, taekwondo. Não há escola, não há política de esportes. Só se vive de fenômenos. O Vôlei é forte na seleção. Os estaduais são fracos. Tenho 72 anos, estou no esporte há 62. Nada muda. Os dirigentes são os mesmos há 20 anos.”
Continuando os comentários, o jornal descreve ainda a opinião da rainha Hortência, ex-atlelta e hoje diretora da seleção feminina na Confederação Brasileira de Basquete.
“Segundo ela, a entidade perdeu força internacional. – Estamos muito distantes do mundo. Na Fiba-Américas, não há brasileiro. Quando os nossos técnicos assistiram às finais da WNBA, da Euroliga, da Copa Rainha da Espanha ? - questionou, acrescentando que o único a fazer isso recentemente foi Paulo Bassul, técnico da seleção até 2009, que pode ser substituído. – Não podemos ficar fechados em nosso mundinho, achando que sabemos de tudo. Em qualquer empresa, você se recicla. No basquete, não. Nossos técnicos não podem esperar que a CBB traga estrangeiros para dar clínicas. Nossos técnicos têm de ter a iniciativa de viajar e aprender, mas muitos sequer falam inglês ou espanhol.”
Na opinião do Laboratório Esportivo não devemos ser pessimistas mas sim críticos.
As opiniões são extremamente pertinentes, principalmente por virem de pessoas que conhecem a realidade do basquete brasileiro dentro e fora das quadras. Sabemos que a gestão esportiva no Brasil, independente do esporte, está longe do ideal. Ainda há muito amadorismo e dirigentes não remunerados que, conseqüentemente, não encaram suas atribuições de forma profissional. No entanto, não devemos achar que nada mudará e que não adianta implementar melhorias. Devemos sim, encarar a realidade e ver que ela é dura e difícil, mas temos a obrigação de tentarmos mudá-la.
Sejamos críticos, para encontrar os problemas, as dificuldades e tentar encontrar soluções, mas nunca pessimistas.



