sábado, 31 de julho de 2010

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GESTÃO ESPORTIVA COM VISÃO DE LONGO PRAZO.

Para trabalhar com as modalidades olímpicas, com exceção do futebol, tais como vôlei, basquete, natação, judô e outras, é preciso ter visão de longo prazo, pois atletas olímpicos não são desenvolvidos da noite para o dia. É preciso fazer como o Pinheiros no vôlei.

logo_proj_olimpicoAtravés da parceria entre Pinheiros e a empresa de TV por assinatura Sky foi possível repatriar atletas olímpicos como Giba, Rodrigão e Gustavo. Com isso o clube paulista montou um time de vôlei forte, capaz de competir para o título em qualquer torneio de vôlei. Apesar de todo este investimento o clube tem uma meta a longo prazo, ter 56 atletas nos jogos olímpicos em Londres 2012. Como informado por Antonio Moreno Neto, presidente do clube, ao site Máquina do Esporte, “Temos um projeto de médio prazo para formar esses atletas.

Tendo em vista o apelo do vôlei no Brasil, sendo o segundo esporte na preferência dos brasileiros, o sucesso das seleções brasileiras (feminina e masculina) e o enfraquecimento de formadores de atletas no estado de São Paulo, com o esvaziamento do projeto de São Bernardo do Campo, tudo indica que o Pinheiros e toda sua estrutura está no caminho certo para a formação de atletas para o vôlei.

Nas outras modalidaes esportivas (Atletismo, Esgrima (olímpica e paraolímpica), Ginástica Artística, Judô, Levantamento de Peso, Natação (olímpica e paraolímpica), Remo (olímpico e paraolímpico), Tênis e Triatlo) o clube captou desde 2008 R$ 15 milhões de reais via lei de incentivo ao esporte – dados do site do ministério dos esportes. Veja bem, não são projetos aprovados apenas. Foram projetos visando o desenvolvimento de atletas não profissionais para formação olímpica, que foram aprovados pelo Ministério dos Esportes e que conseguiram captar recurso de empresas e pessoas físicas. Isto significa que há mais de 2 anos o Esporte Clube Pinheiros atua na preparação para as olimpíadas de 2012.

O clube sabe que para alcançar a meta de 56 atletas em Londres 2012 é preciso começar logo ! Um projeto olímpico não gera resultados em 2 ou 3 anos. Ter planejamento e metas bem claras já é um ótimo indicador de que o clube está trabalhando no caminho certo.


O VÔLEI E A SUA GESTÃO PROFISSIONAL.

O Vôlei masculino no país começou a viver uma nova realidade profissional. A temporada 2010/2011 deverá consolidar o ano em que clubes e atletas serão mais estáveis em termos de duração de contratos.

Até pouco tempo atrás, os times de primeiro escalçao do país, renovavam ano a ano os acordos com seus atletas. Agora, a tendência é a da contratação de jogadores por dois ou três anos. Por exemplo, O técnico do Sesi/SP, Giovane Gavio revelou que a equipe fechou contrato até 2013 com Murilo, Sidão, Tiago Barth, Sandro e Escadinha. O Pinheiros/Sky contratou Giba, Gustavo, Rodrigão e Marcelinho com vinculo até 2012. De acordo com os dirigentes ouvidos pela reportagem do Lance! a mudança na gestão dos elencos foi possível pois os patrocinadores estão dando garantias da continuidade.

Há diferentes razões que contribuirão para o desenvolvimento do vôlei. Um calendário de competições bem organizado, jogos sendo transmitidos – embora em sua grande maioria na tv fechada, alto nível de competitividade na Superliga, divulgação da mídia e aumento dos fãs de vôlei. Sem falar que estamos na eminência da realização dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres (período em que o vôlei nacional ocupa lugar de destaque na mídia), além de, 4 anos após Londres, sermos a sede dos próximos jogos olímpicos em 2016.

Todos estes são, sem dúvida alguma fatores que colaboraram para o avanço do vôlei no Brasil. Entretanto, certamente a profissionalização do vôlei nacional contribuiu bastante para que o esporte chegasse a este estágio. Equipes bem estruturadas, com gestores competentes, zelando pelo atleta e pela responsabilidade com os gastos. Investimento de longo prazo, como os projetos da Unilever, Cimed, Sada e, mais recentemente a equipe do Sesi. Assessoria de imprensa para ampliar a imagem das equipes. Enfim, inúmeros fatores que levaram inclusive, muitos atletas que atuavam no exterior a voltar para o Brasil.

Que o vôlei continue neste trabalho de desenvolvimento contínuo e que a gestão de outros esportes sigam este excelente exemplo.


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ÉPOCA DE RENOVAÇÃO DOS PATROCINADORES. OU NÃO !

Fim da temporada 2009/2010 no vôlei brasileiro. Em dois jogos finais espetaculares, com casa cheia e astros de seleção brasileira em quadra, Sollys/Osasco no feminino e Cimed/Florianópolis no masculino se tornaram os campeões de uma das edições mais competitivas de todos os tempos.

Apesar de todos os pontos positivos que já foram citados por aqui, sendo inclusive motivo de um post no Laboratório “Parabéns CBV. A Superliga é um exemplo, com apenas uma ressalva.” como todo ano, estamos em fase de renegociação dos contratos de patrocínio. E até o momento o saldo não é positivo para o vôlei nacional. Dois grandes investidores, que mantiveram equipes competitivas nesta última decisão anunciaram que deixaram de associar-se ao segundo esporte brasileiro, o vôlei.

Primeiramente foi o banco Santander que anunciou o fim do investimento no time de São Bernardo. Com esta decisão o banco multinacional de fim também a uma longa história, rica na formação de atletas campões olímpicos, oriundos das divisões de base do time da cidade do ABC paulista. Todo garoto que sonhou em jogar vôlei já teve vontade de participar da nacionalmente famosa peneira do Banespa. Neste último ano a equipe passou a se chamar Brasil Vôlei Clube e contou com atletas de Seleção como Escadinha e Dante, vendido após o término do campeonato paulista. Provavelmente a prefeitura local irá bancar a manutenção de um time, mas com um investimento bem mais modesto.

Nesta última semana, conforme informado pelo site Máquina do Esporte, a companhia farmacêutica Blausiegel informou o encerramento das atividades da equipe. A diretoria suspendeu temporariamente novos investimentos em ações de marketing esportivo. A empresa apenas manterá ações em corridas automobilísticas. Nesta última temporada esta parceria foi responsável por repatriar atletas medalha de ouro em Pequim, Scheilla, Mari e Fofão. Ou seja, foi uma ótima oportunidade de ver estas atletas atuando no Brasil. Mas o terceiro lugar na Superliga certamente contribuiu para o fim deste investimento.

A opinião do Laboratório é que durante muuuuito tempo ainda estaremos dependendo dos resultados empresárias para saber se uma equipe de vôlei permanecerá ou não na temporada seguinte. Os patrocinadores são na prática os donos da equipe. Casos como o do Minas Tênis e do Pinheiros são raridades. Os clubes sozinhos não tem como manter equipes de vôlei adulto de alto rendimento, em condições para disputar uma Superliga. O resultado é esse. Times de empresa que começam e terminam de acordo com o planejamento de marketing não da equipe, mas da empresa patrocinadora. Fica difícil até de acreditar que é possível formar uma torcida.


PARABÉNS CBV. A SUPERLIGA É UM EXEMPLO, COM APENAS UMA RESSALVA.

O campeonato feminino já terminou. Um duelo em 5 sets, medalhistas olímpicas dos dois lados. Somando apenas os treinadores são 5 medalhas olímpicas, incluindo a prata em 84, época em que Bernardinho era reserva na geração de prata. Ibirapuera lotado, transmissão ao vivo.

O campeonato masculino foi disparado o mais disputado dos últimos anos. A equipe mineira de Montes Claros surpreendeu, como bons mineiros comeram pelas beradas, bateram fortes candidatos e chegaram as finais. A equipe contou com uma torcida apaixonada. Os moradores de Montes Claros apoiaram a equipe e foram disparados os que tiveram maior média de público ao longo da Superliga. A Confederação Brasileira de Vôlei demonstrou porque é um exemplo de gestão esportiva para o mundo todo. A CBV apresentou uma excelente organização, principalmente no que diz respeito a busca por repatriar as grandes estrelas de volta. Giba, Rodrigão, André Nascimento, André Heller, Murilo, Jaqueline, Sheilla, Mari, Fofão …

Todas estas estrelas olímpicas desfilaram seu talento pelas quadras brasileiras. Com seus curriculos dourados ajudaram a abrilhantar uma das maiores Superligas de todos os tempo, em ambos os naipes. Tudo isso é um resultado de um trabalho longo, duradouro, insistente e que precisa ser cuidado, preservado, ano a ano. O vôlei tornou-se popular, o segundo maior do Brasil e tudo isso só foi possível após anos e anos de trabalho. Agora o esporte, seus fãs, atletas e dirigentes estão colhendo os frutos.

Parabéns a todos os que batalharam para que o esporte se tornar-se o sucesso que é hoje. Mas como nada é perfeito, fica uma ressalva. Não dá para fazer apenas um jogo final. Uma melhor de três jogos talvez fosse a melhor opção. Se a audiência seria atrativa para a emissora detentora dos direitos de transmissão não podemos ter certeza, mas certamente teríamos casa cheia nos três jogos. Alô Organizações Globo, vamos ser mais flexíveis ! A concorrência está só esperando uma oportunidade para abocanhar o espaço no esporte. Rede Record e Esporte Interativo são dois fortes nomes e são um palpite particular de que podem ser cada vez mais agressivas.


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PODE FALTAR GRANA, MAS NÃO FALTAM DATAS PARA CAMPEONATOS.

As Federações ou Ligas Independentes que desejarem organizar campeonatos dentro de suas modalidades, estão com bastante datas disponíveis em seus calendários.

Por exemplo, a NBB está terminando e muitos clubes já não estão mais no torneio. Há espaço para campeonatos estaduais, ou até torneios entre estados. Outro caso famoso é o retorno da Liga do Nordeste. Campeonato que aproveitará a folga no calendário brasileiro, graças aos jogos da Copa do Mundo de Futebol. Grandes equipes do Nordeste manterão suas equipes atuantes e seus torcedores também poderão torcer pelo seu clube do coração, além dos jogos do Brasil.

No vôlei a mesma coisa. A Superliga, principal competição de vôlei no país acabou para as mulheres e terá fim para os homens amanhã. Dentro de algumas semanas os atletas das seleções irão se reunir para disputar os campeonatos representando o país. Mas e os demais atletas ? E para as outras equipes ? Não há vida além da seleção ? Sem falar que para o vôlei é época de término de temporada européia e muitos atletas voltam para o Brasil, pois ficam temporariamente sem contratos.

Então talvez seja a hora dos estados se organizarem, seja através das respectivas Federações, seja através de Ligas Independentes, para montar campeonatos dentro dos seus domínios. Torneios em um único fim de semana. Campeonatos com etapas a cada fim de semana e com duração total de um mês. Enfim, são várias as formas de competição.

Pode faltar grana, patrocínio, tudo bem, isto é importante. Mas é bom que todos entendam que o aumento de público de um determinado esporte também depende de um calendário de competições movimentados e, além disso, há muitos atletas que querem jogar, por necessidade de manter-se bem fisicamente, manter o ritmo de jogo e também para faturar uma grana, ainda que não seja uma fortuna.


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UM OLHAR ESPECIAL PARA AS LIGAS ESPORTIVAS.

Atenção leitores deste Laboratório Esportivo, o esporte nacional está se tornando cada vez mais “independente”, e isso é excelente !!! E o que é mais incrível e surpreendente, os dois últimos exemplos vieram do futebol.

Liga NordesteNesta última foram dois sinais de que as Ligas estão se tornando cada vez mais uma opção de mudanças no esporte nacional. O site Máquina do Esporte noticiou a volta da Liga do Nordeste, segundo o próprio site da competição este é o campeonato responsável pela maior média de público nos estádios e em audiência.

É importante ressaltar que isto também representa uma vitória judicial diante de uma das entidades mais poderosas do esporte brasileiro, a Confederação Brasileira de Futebol. Como muito bem destacado pelo Máquina do Esporte: “A reedição da Liga do Nordeste encerra, também, uma batalha jurídica entre a liga e a CBF, que em 2003 acabou com a realização do torneio para transformar o sistema do Campeonato Brasileiro em pontos corridos, retornando os campeonatos estaduais. Desde então, a liga processou a entidade máxima do futebol brasileiro, argumentando que ela havia rompido um acordo e prejudicado financeiramente a liga. O processo se arrastava na Justiça desde então, e a CBF já havia perdido em duas instâncias.

A confederação desportiva mais rica do esporte nacional não tem como impedir que as Ligas existam. Está na lei, Lei 9.615, batizada de Lei Pelé.

Art. 13. O Sistema Nacional do Desporto tem por finalidade promover e aprimorar as práticas desportivas de rendimento.

Parágrafo único. O Sistema Nacional do Desporto congrega as pessoas físicas e jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, encarregadas da coordenação, administração, normalização, apoio e prática do desporto, bem como as incumbidas da Justiça Desportiva e, especialmente:

V – as ligas regionais e nacionais

Liga Nacional de Basquete

Liga Nacional de Basquete

E já que a Lei permite a existência de tais instituições, o G4 de São Paulo (Grupo dos 4 grandes clubes de São Paulo – São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos) publicou um manifesto na última semana onde está claro a intenção de se formar uma Liga Independente !!! Está no item “d” do manifesto: “d) Gestionar junto aos seus pares para que se constitua uma liga independente no futebol brasileiro”. Será ??? Aí está um acontecimento que eu adoraria ver. O futebol brasileiro precisa se renovar, além disso, precisa sair das rédias da CBF e da TV Globo. Só ressaltando que a Globo apenas aproveitou-se da má situação financeira dos clubes, estes sim, os verdadeiros culpados de tamanha dependência do futebol brasileiro para com a TV Globo.

Vale lembrar que este não é um movimento isolado, restrito ao futebol. No Brasil existe a NBB, principal competição de basquete do Brasil, organizado pela Liga Nacional de Basquete, entidade independente. E como nada na vida é por acaso, não é atoa que os principais campeonatos do vôlei nacional, organizados pela Confederação Brasileira de Vôlei se chamam Superliga e Liga (1° divisão e 2 ° divisão, respectivamente) e que o principal campeonato nacional promovido pela Confederação Brasileira de Futsal chama-se Liga Futsal.


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CASO REAL: O ORGANOGRAMA DA GESTÃO DO VÔLEI NO ESTADO DO RIO.

Para enriquecer o debate vou trazer um caso real sobre uma estrutura organizacional de gestão esportiva, mais especificamente, vou demonstrar como hoje o vôlei no estado do Rio de Janeiro é estruturado.

Torneio Início da Federação de Vôlei do Rio.

Torneio Início da Federação de Vôlei do Rio.

Há no estado três órgãos que compõe a Secretaria de Esportes, são eles: o Conselho Estadual de Desportos a Fundação Garantia do Atleta Profissional e a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro. Nenhum deles trata um esporte específicamente. Desta forma dão total autonomia para que a federação seja o órgão máximo do vôlei no estado do Rio de Janeiro. Dentro deste contexto, todos os principais campeonatos de vôlei existentes no estado (Copa Rio e campeonato estadual) são organizados pela federação de vôlei do estado do Rio de Janeiro (FVR).

Além destes campeonatos que merecem maior destaque, a FVR organiza campeonatos de base, incentivando o surgimento de atletas da modalidade nos clubes que são filiados à federação. Beleza ! temos aí uma ótima iniciativa. O problema é: E quem não tem condições de pagar as taxas da federação ? Pois bem, estas equipes ou clubes estão tendo (e esta é uma realidade que vem ganhando cada vez mais força nos últimos 3 ou 4 anos) algumas boas opções de competir na modalidade em torneios não organizadas pela FVR. E isto é excepcional !

No último ano foi criada a Liga Rio Vôlei, um evento organizado pela RV Sports e que apenas no seu primeiro ano de vida já contou com 30 equipes participantes ao longo de 2009. Além da LRV há a Associação Fluminense de Vôlei, que no último ano contou com mais de 70 equipes inscritas ao longo dos seus torneios. Vale lembrar que não estamos considerando os diferentes naipes. Tendo em vista este cenário, este ano a FVR irá organizar um campeonato para equipes não federadas. Isso evidência que a própria federação identificou um grande público que demanda a prática do vôlei mas que por diferentes motivos não estão filiados a entidade máxima do vôlei no estado do Rio.

Torneio Início da Liga Rio Vôlei

Torneio Início da Liga Rio Vôlei

Outro ponto relevante. Estas três entidades são independentes e não estão restritas a um determinado espaço geográfico. O que queremos dizer com isso ? Nos torneio da FVR participam equipes da Zona Sul, Zona Norte e região metropolitana do Rio de Janeiro. O mesmo ocorre com os campeonatos realizados pela Liga Rio Vôlei e pela Associação Fluminense de Vôlei.

Conclusão: Ainda que a Federação seja entendida como o órgão máximo e a única reconhecida pela Confederação Brasileira de Vôlei, há demanda pela pratica esportiva que justifique a existência da Liga Rio Vôlei e da Associação Fluminense de Vôlei. A existência (até então pacífica) das três, com uma administração independente e sem restrição quanto a área geográfica de atuação, demonstra que há vida além das federações e, além disso, que se faz necessário existir outros órgãos que permitam a possibilidade da pratica esportiva para um número cada vez maior de praticante.

Como bem disse nosso leitor Alexandre Massura Neto, o importante é termos as federações, as Ligas e tudo o mais. E que elas encontrem formas de aproveitar suas sinergias. Mas esta questão é papo para outro post.


RIO 2016. CIDADE OLÍMPICA QUE NÃO TEM ESPORTES OLÍMPICOS

Hoje o Rio de Janeiro ainda é uma cidade despreparada, do ponto de vista esportivo, para absorver o legado da olimpíada. Não há competições esportivas fortes o suficiente para atrair um publico que sustente a utilização das futuras instalações esportivas. A nossa sorte é que ainda restam 6 anos para que se implemente uma gestão esportiva com foco no longo prazo e que esta ausência seja sanada. Vejamos alguns exemplos:

No Basquete o estado do Rio possui apenas o Flamengo, como representante na NBB, principal campeonato da modalidade no país. Na última temporada a equipe rubro-negra tornou-se campeã, levando até 8.500 pagantes no último jogo disputado na Arena HSBC. Entretanto, ao longo da competição o clube, considerado como sendo de maior torcida do país, teve uma média de público de, aproximadamente, 1.200 torcedores, nos jogos em casa (Fonte: http://www.flabasquete.com/). Apenas para registro o Flamengo mandou os seus jogos em dois locais diferentes, além do HSBC Arena, jogou no Tijuca Tênis Clube e no Maracanãzinho. Logicamente que com números tão modestos o clube não conseguiu ter lucro referente a bilheteria.

Na Superliga de vôlei o estado está “melhor” representado. Unilever e Macaé Sports jogam no feminino e Volta Redonda representa o Rio no masculino. Entretanto, a unica equipe da capital, comandada pelo Bernardinho, realmente briga por título. As outras duas são do interior do estado e fazem um trabalho que precisa de maior investimento e profissionalismo. Outro ponto importante é que a equipe da Unilever tentou mandar alguns jogos no Maracanãzinho, mas as partidas não apresentaram um bom público, causando o retorno desta para o modesto ginásio do Tijuca Tênis Clube.

Fica a clara evidência de que os esportes olímpicos no Rio de Janeiro não são fortes o suficiente para fazer valer a utilização de um Maracanãzinho ou uma Arena HSBC, ou Arena Multiuso, dois legados dos jogos pan-americanos e que são sub-utilizados. As federações e as equipes locais precisam começar agora a fazer um planejamento estratégico a longo prazo, visando fomentar equipes fortes e, por consequência, proporcionando competições locais mais atrativas, para que, por fim, o público demonstre interesse em acompanhar os jogos, gerando retorno para as instalações esportivas que a cidade terá como legado, após a realização dos jogos olímpicos de 2016.


CBV PODERÁ OFERECER CAPACITAÇÃO ÀS FEDERAÇÕES DE VÔLEI.

Poucos sabem, mas além da minha empreitada aqui no Laboratório também faço parte do Programa Vôlei Brasil. O primeiro e único programa exclusivamente dedicado ao vôlei no rádio brasileiro. Para quem quiser ouvir, o programa vai ao ar toda segunda-feira de 20:05h às 21:55h na Super Rádio Brasil, 940AM. O programa conta com a apresentação do ex-atleta olímpico e integrante da inesquecível geração de prata, Fernandão. E o que uma coisa tem a ver com a outra ?

É que ontem, o nosso entrevistado foi o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça Filho. E, como não poderia perder esta grande oportunidade, fiz as minhas duas perguntas voltadas para a Gestão Esportiva.

Os títulos do vôlei demonstram o sucesso na gestão da cbv.

Os inúmeros títulos conquistados demonstram o sucesso da gestão da CBV.

Primeiramente lhe perguntei se o presidente da entidade maior do vôlei nacional entendia que, devido ao nível de evolução do vôlei brasileiro, nós deveríamos ou precisaríamos de regras financeiras para as equipes que disputam os campeonatos promovidos pela Confederação, assim como as entidades européias estão criando, como o Financial Fair Play, que já foi inclusive comentado por nós no tópico “Financial Fair Play para um esporte sustentável“. De forma bem clara Ary Graça respondeu que juridicamente ele não pode fazer isso, pois as instituições esportivas são organizações independentes. Além disso ele informou que o máximo que ele solicita, no início das competições, é que os clubes assumam o compromisso de pagar os salários de jogadores e comissão técnica.

A segunda pergunta fiz pensando nos questionamentos dos nossos leitores. Perguntei ao Ary se ele entendia que realmente passariamos por um momento de maior demanda quanto a necessidade de capacitação dos gestores esportivos no Brasil, em função de Olimpíada e Copa do Mundo, e se a CBV pensa no assunto. Na resposta o presidente nos noticiou um ponto interessantíssimo e que eu, particularmente, até então não tinha conhecimento. Vamos ao ponto. Segundo ele a CBV irá, em conjunto com uma instituição de ensino que já está sendo negociada, oferecer uma oportunidade de capacitação para os presidentes das federações de vôlei. Seria um curso, com metodologia própria, oferecido pela CBV, em parceria com uma instituição de ensino, específico para os diretores das federações. Com isto a CBV espera que as federações se reciclem e tenham know how para implementar uma gestão esportiva mais profissional. Será que isto vai vingar ? Vamos aguardar !

A primeira vista é uma iniciativa muitíssimo pertinente, totalmente adequada as necessidades do esporte brasileiro. A grande dificuldade, na opinião do Laboratório, será a implementação do conhecimento adquirido, por parte dos presidentes das federações. Muitos deles já se encontram no poder há anos, e já possuem uma maneira particular de gerir suas federações. Muitos são resistentes a mudanças. Sem falar que aprender, saber novos conceitos e teorias de gestão esportiva somente não basta. As federações precisam gerar recursos para se sustentar. Aprender novos conceitos, ter maior capacitação, manter-se atualizado sobre as técnicas de gestão no esporte é apenas o começo. Os presidentes precisarão, quebrar a barreira do conservadorismo e serem criativos, para gerar novas receitas.


TESTE EM LABORATÓRIO: UNILEVER VÔLEI.

Desta vez iremos testar o Unilever Vôlei na internet.

Como todos sabem de tempos em tempos pegamos uma instituição esportiva de grande porte e analisamos as suas ações online. Verificamos se o site destas equipes estão facilmente localizado na internet (encontrabilidade), analisamos se estas instituições fazem uso das redes de relacionamento (orkut, twitter, facebook, etc.) e checamos também se há interatividade entre a instituição e seu público, entre outras questões que entendemos ser necessária para a promoção destas instituições através das novas mídias digitais. Vejam os testes anteriores.

Este ano a equipe de vôlei do Rexona-Ades mudou de nome e passou a chamar-se Unilever (nome da empresa multinacional fabricante dos produtos Rexona e Ades). A partir desta mudança a equipe ganhou um novo endereço online: www.unilevervolei.com.br. Detalhe importante: O menos desavisado que tentar encontrar a equipe com os nomes antigos não ficará perdido, pois o google sempre trará nas primeiras colocações da sua busca o endereço para o site novo.  Tente, por exemplo, as palavras chave rexona e ades e volei, assim mesmo com a letra “e” entre cada uma. O google mostrará o endereço atual. Inclusive há um link patrocinado levando ao site original. Isto demonstra a preocupação da empresa em tornar o site principal da equipe um endereço de fácil encontrabilidade. Nota dez !

O site principal da equipe é show de bola. O site disponibiliza as informações necessárias, sendo objetivo e de fácil navegação. Todas as opções de link da parte central da página também podem ser encontradas na barra de navegação superior.

Site apresenta boa navegabilidade com a barra superior

Site apresenta boa navegabilidade com a barra superior

Há notícias atualizadíssimas, calendário com todos os jogos da equipe nos últimos campeonatos disputados, desde outubro de 2009, com data, hora, local e placar !!! Há também uma ficha completa das atletas e da comissão técnica, inclusive com fotos.

A interatividade com os seus fãs não foi esquecida e é levada a sério. No site há uma área onde as fotos dos fãs são postadas, dando o devido crédito aos mesmos. Se desejarem os torcedores também podem postar vídeos. Somente os torcedores devidamente cadastrados, é claro. Para isso basta preencher um breve formulário.

Os fãs perguntam e os ídolos respondem.

Os fãs perguntam e os ídolos respondem.

Um diferencial muito interessante é o espaço “Torcedor Entrevista“. Nesta área os usuários cadastrados podem enviar perguntas a uma atleta ou membro da comissão técnica. As melhores perguntas são respondidas e, em seguida, publicadas no site. Ótima demonstração de parceria equipe / fãs. PARABÉNS !

Por fim, vamos falar do blog e das redes sociais, basicamente Orkut e Twitter. O blog da equipe é interessante. Embora haja uma dúvida quanto a veracidade dos posts serem mesmo escritos por atletas e comissão técnica, tem um bom conteúdo. Seu layout é bem prático, trazendo inicialmente o título e o resumo. Fica a ressalva de não ser constante. Seus posts não são diários. A equipe possui um perfil no twitter que é atualizado sempre que há novas notícias. No momento há 360 seguidores deste perfil.

A comunidade da equipe no Orkut é muito bem freqüentada por mais de 6 .400 usuários. Apresenta posts quase que diários que são monitorados por moderadores. Inclusive, somente pessoas autorizadas podem ingressar nesta comunidade. Tanto o Twitter quanto o Orkut possuem um link direto dentro do site da equipe.

Resultado dos testes em Laboratório para o Unilever Vôlei:


Encontrabilidade: Muito Boa

Navegabilidade: Muito Boa

Interatividade: Muito Boa.

Ponto Forte: Interatividade e notícias atualizadas.

Ponto Fraco: Autenticidade e atualização do blog

Vale a pena anotar: O link “Torcedor Entrevista” trás perguntas feitas por fãs da equipe e respondidas por atletas. Uma idéia simples, prática e pouco executada em outros sites.


Resultado Final: Altamente recomendado. Referência no que diz respeito a interatividade e notícias atualizadas.